Expresso Continental

terça-feira, 20 de outubro de 2009

                                                    

                                Capitulo 5 - Primeiro Encontro
  Jonny estava fazendo o seu melhor, mandava flores, comprava almoço, elogiava e tentava esperar ela sair, mas ele nunca conseguia ficar até a hora que ela saia, ele só tinha certeza que ela não dormia na firma porque ele pagava ao pessoal da limpeza para deixar flores quando ela saísse e elas sempre chegavam.
  Jonny resolveu chamá-la para sair. Ele entrou na sala como de costume, um mês de almoço gerou pequenos diálogos e uma amizade diferente. Já era costume ela comprar o café e ele o almoço.
  -Amy! - chamou ele.
  -Oi? - falou ela sem tirar os olhos dos papeis.
  -Amy! - chamou insistentemente.
  -Sim? - disse ela anotando alguma coisa nas pautas.
  -Amy!!
  Dessa vez ela o olhou, ele tinha uma rosa na mão ao invés do almoço. Os olhos de Amy encontraram os de Jonny eles pareciam escuros nesse momento, assim como o escritório, que estava mal iluminado e vazio.
  -Não terá almoço hoje? - perguntou Amy timidamente.
  -Só se você não quiser sair para almoçar comigo - disse ele sorrindo e entregando a rosa.
  -Mas... Mas... - ele a olhou com grandes olhos e um sorriso irresistível - Eu vou...
  Jonny levou Amy para um restaurante próximo, eles fizeram o pedido e assim que o garçom se afastou Amy perguntou baixinho:
  -Isso é... - uma pausa - Um encontro?
  -Apenas um almoço entre amigos - disse ele olhando o o restaurante e dando uma piscadela para ela - Esse não é um bom lugar para o primeiro encontro.
  "-Amy, por que não vamos a um restaurante jantar enquanto vemos esses projetos? - perguntou Martin ansiosamente.
  -Como um encontro? - perguntou ela nervosa.
  -Apenas um jantar entre colegas - respondeu ele com uma piscadela"
  Por que? Por que? O que ele está tentando fazer? - pensou ela ao lembrar...
  -Gostaria de te conhecer melhor Amy. - disse Jonny interrompendo os pesamentos dela - Você está sempre trabalhando, não sai, não se diverte... Queria ver um sorriso seu... - sua voz era doce e sedutora ao dizer a ultima frase.
  -Mar... Jonny - corrigiu-se rapidamente - eu sou nova na firma e todos vocês já tem o respeito necessário, e com essa competição eu preciso ser eficiente...
   Será que ele acredita nessa? - pensou ela.
  -Mas você só trabalha. Você é bonita e interessante - disse ele pegando a mão dela - Sei que só tomo seu tempo com esses almoços, mas eu achai que te conheceria melhor assim... Mas mau conversamos. Eu gostaria realmente de te conhecer.
  -Eu não sei onde você quer chegar - disse Amy diretamente.
  -Você não percebe? As flores, os bilhetes, os almoços... Quero que você seja minha garota Amy.
  -Mas você nem me conhece...
  -É o que eu estou tentando dizer. Eu tentei te conhecer, mas você não deu uma brecha, criei todas as oportunidades, não sei mais o que fazer para me aproximar de você. - ele fez uma pausa. - Topa um cinema no sábado?
  -Esse final de semana eu não posso... No próximo podemos ver um filme depois do expediente e...
  -É o que eu estou falando você nunca faz nada e quando te chamo para sair você tem compromisso...
  -Não é isso... - ela mordiscou o lábio inferior - Eu vivo sozinha na cidade e tem tempo que não vejo minha família então esse fim de semana irei a casa de praia de meus pais e...
  -Perfeito! - disse ele energeticamente - Me leve com você  assim conhecerei a Amy fora do trabalho.
  -Acho melhor não - disse ela nervosamente - Você está indo rápido demais, eu... Eu... Eu não posso chegar com um cara e apresentar a meus pais... Ainda nem tivemos um encontro, nem sei onde você mora, ou o que você gota, você  nunca me deixou em casa e nem tivemos um primeiro beijo, nem chegamos perto de nada disso. Não é assim que funciona Martin! - ao terminar de falar ela ficou boquiaberta e levou a mão a boca.
  Jonny pareceu não se importar com a troca de nomes, mas Amy sentiu-se mau por pronunciar aquele nome novamente.
  -Podemos considerar isso um encontro - disse Jonny feliz - eu moro a três quarteirões daqui, gosto de suco de laranja e de ler antes de dormir, posso te levar para casa depois do trabalho hoje e quanto ao beijo... - ele levantou, debruçou-se sobre a mesa até ficar frente a frente com Amy e tocou levemente seus lábios nos dela - Ai está.
  Amy ficou olhando para Jonny não sabia como reagir.
  Ele tem atitude - pensou ela.
  -Admiro sua força de vontade JONNY - ela enfatizou o nome - Mas não posso te apresentar a minha família como meu namorado, mas quem sabe como um amigo do trabalho?
   -Isso é uma chance?
   -Estou te dando uma chance.
   Os olhos dele estavam claros, quase verdes, contrastando com seus cabelos escuros. O sorriso dele estava tão iluminado quanto os olhos.

Expresso Continental

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


                      
                      Capitulo 4 - Tudo de novo.
  Amy andava apressadamente queria chegar mais cedo no trabalho, faltavam duas horas para começar o expediente. Quando ela chegou a firma estava vazia, com exceção do pessoal que trabalhou a noite, seguranças e serviços gerais.
  Assim que passou pelo segurança diminuiu a velocidade dos passos e passou a andar pesadamente até o elevador e do elevador até a sua sala.
  Com todo esse trabalho extra em breve poderei por meu plano em pratica - pensou Amy se jogando na  sua cadeira.
  "-Depois que o trem estiver pronto você nunca mais precisará trabalhar! - disse Matin alisando o rosto de Amy.
  -Não quero parar de trabalhar, quero apenas construir meu projeto, vê-lo realizado.
  -Realizarei seu sonho..."
  Amy tentou afastar esses pensamentos de sua mente e focar apenas o trabalho. Arrumando os seus papeis ela encontrou uma rosa de plástico com um doce aroma, quase real.
  -Mas... O que é isso? - ela cheirou a rosa e suspirou - Martin...
  O resto do expediente da manhã foi normal e tranqüilo, até que chegou a hora do almoço.
  -Olá Amy -disse uma voz doce.
  Amyy estava atolada em papeis, demorou um pouco e ela olhou pra frente. Lá estava Jonny Waller, seu colega de trabalho, encostado na parede e olhando para ela com grandes olhos acastanhados.
  -Waller? Algum problema? Estão precisando de mim? Você preci...
  -Calma garota - disse ele interrompendo-a  - Só achei que você estava trabalhando demais e...
  -Desculpa mas estou ocupada e...
  -Sei que está ocupa, só trouxe um almoço pra você - disse ele entregando-a um pacote - Percebi que você não tem almoçado.
  -É... Bem... Eu... Eu... -Amy procurava as palavras certas para dizer.
  -Eu ainda não almocei então se importa se eu me sentar e...?
  -Sinta-se à vontade - disse ela energética.
  Amy abriu o pacote e começou a comer, ela não parava de trabalhar. E não  era nem um pouco desajeitada    
fazia tudo com método e ordem. Jonny ficou apenas olhando enquanto comia.
  -Mar... Waller! Obrigada - disse ela sem olhar para ele.
  -Não foi nada - disse ele levantando e saindo.
  "-Você trabalha demais Amy - disse Martin com a caixa de almoço na mão - Você precisa comer, precisa se cuidar.
  -Eu preciso terminar isso logo! Amanhã será a reunião final e eu quero apresentar minhas idéias.
  -Assim você vai ficar doente. Ao menos coma. Não quero te perder por uma besteira dessas."
  Amy passou o resto do dia pensando em Jonny.
  Como ele foi gentil! Mas por que se preocupar?
  No dia seguinte para retribuir a gentileza Amy comprou café e brioches e deixou na mesa de Jonny com um bilhete de agradecimento.
  Ao chegar a sala ela se surpreendeu com mais um rosa em sua mesa e dessa vez com um bilhete acompanhando.
  "O almoço de hoje será mais cedo, espero que goste."
   -Não pode ser! - exclamou Amy.
   "No seu segundo mês de estágio na firma Ristof, Amy encontra um ramalhete de rosas em sua mesa com um bilhete ALMOÇA COMIGO?"
   Por que está acontecendo de novo?

Expresso Continental

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

                                                      Capitulo 3 - O plano
  Amy começou a trabalhar como uma louca. Passava quase todo seu tempo na firma. Fazia hora extra, entregava projetos antes do prazo, sempre tinha novas idéias.
  Seus colegas começaram a ter inveja do trabalho árduo dela. Por isso sempre recebia olhares pesados e sentia a atmosfera mudar sempre que entrava na sala.
  Ela dividia a sala com dois colegas Renan e Esbert e ambos pareciam odiá-la.
  Não preciso desses dois - pensava Amy toda vez que entrava na sala e via seus rostos furiosos.  
  Passaram-se dois meses e a eficiência de Amy só aumentava, assim como a inveja, o ciúme e o ódio de seus colegas.
  -Temos que fazer alguma coisa para parar a Amy - disse Renan
  Cerca de quinze colegas estavam reunidos na casa de Renan, como era de costumes nos dias de folga.
  -Ela não deve estar trabalhando tanto por causa do prêmio, ela odeia aquele trem! - disse Samuel.
  -Então porque tanto trabalho? Por que tanta eficiência? - perguntou Renan.
  -Talvez ela esteja precisando de dinheiro. - sugeriu Lucia.
  -Ou talvez ela esteja querendo ganhar o concurso! - disse Renan irritado.
  -Mesmo que ela não se esforçasse tanto ela provavelmente ela ganharia - disse Esbert - ela é eficiente e é a queridinha do chefe.
  -Precisamos descobrir o porque ela está agindo dessa maneira - disse Renan pensativo - ela nunca sai, não tem amigos, não tem família... Qual é o problema dela?
  -Ela podia arranjar um namorado - comentou Amélia.
  -Exato! Amanhã irei começar a operação conquista - disse Renan energeticamente.
  -Você não! -disseram Lucia e Amélia em coro. (as únicas mulheres do grupo).
  -Por que não? - perguntou Renan indignado.
  -Você é colega de sala dela...- disse Amélia.
  -É! Se fosse de algum dos dois ter interesse, já teria rolado ao menos um olhar. - completou Lucia.
  -Então quem poderia fazer isso? - perguntou Esbert.
  -O Jonny - disse Lucia.
  -Ele é perfeito para isso. Sempre que ele passa ela dar um olhada nele. E ele é exatamente atraente. - disse Amélia dando uma piscadela para Jonny.
  -Eu?! - disse Jonny pondo-se de pé.
  -Ele?! - disse Renan ficando do seu lado.
  -Você aceita Jonny? - perguntou Esbert
  -Ela é tão... Tão... Tão... - se embolou Jonny.
  -Linda? - perguntou Renan.
  -Sim. Ela é bonita atraente, mas... Não parece gostar de homens. - disse Jonny.
  -Mas se ela gostar... - disse Amélia - Você será exatamente o tipo dela...
  -Se é assim! Ajudarei vocês! Em breve Amy Stendford será minha mais nova namorada! - disse Jonny confiante.

Expresso Continental

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

                                      
                                Capitulo 2 – Motivação
  Amy acordou contente aquela manhã, fazia tempo que não se sentia tão leve, tão disposta. Ela teria uma entrevista de emprego, e o que mais queria era trabalhar, esquecer os problemas, esquecer os pesadelos, esquecer aquele que um dia ela amou.
  -Serei uma nova Amy Stendford! – disse ela vigorosamente ao levantar.
  Ela chegou cedo para a entrevista estava nervosa, ela não era boa com pessoas, tudo que gostaria era de ficar em um local fechado com seu raciocínio, com seu trabalho. Mas para isso precisaria conseguir um primeiro. Essa seria a décima entrevista esse mês, mas algo lhe dizia que se sairia bem dessa vez.
“ – A senhorita tem recomendações esplendidas! – dizia o chefe – Se não se importar ficaremos com o seu currículo e faremos algumas ligações para checar e se tudo der certo...”
   E quando eles diziam isso sabia que não daria. Ela foi uma excelente aluna na escola e na faculdade, seu tempo de estágio foi bom, mas a primeira recomendação era de Martin Ristof.
  Ele não pode me deixar em paz? – pensava ela – Não bastava acabar com meu passado, tem que acabar com meu futuro também?
  Quando os chefes telefonavam Martin alegava nunca ter conhecido tal pessoa, que deve ter sido um engano. Talvez ele não soubesse que se tratava de um emprego, mas a sua palavra contava muito e então nunca telefonavam para Amy. Quando ela descobriu o porquê nunca era contratada, ela removeu o nome da firma Ristof do currículo e dessa vez ela seria contratada.
   -Amy Stendford – chamou uma voz distante.
   No mesmo instante Amy levantou nervosamente, ajeitou a roupa, respirou fundo e se encaminhou para a sala do chefe.
   -Bom dia Srta. Stendford. Sou Albert Lorely e estou a procura de uma pessoa competente. Você que se encaixa no perfil da firma?
  -Sim senhor... É uma firma conhecida e respeitável, ficaria muito feliz em poder trabalhar aqui.
  Assim começou a entrevista, sem o nome da empresa Ristof as coisas pareceram ficar mais fáceis, não houveram telefonemas, nem conversa fiada. Uma semana depois Amy começou em seu novo emprego.
  Darei a volta por cima e me vingarei! – pensava ela todas as manhãs para ter animo para o novo dia.
   As noticias do Expresso Continental deixavam Amy estreitamente irritada, ninguém sabia o porquê, mas logo os colegas de trabalho aprenderam e nunca comentava nada perto dela.     
   -Logo a primeira viagem do Expresso Continental será feita com passageiros – Amy ouviu alguém comentar enquanto passava – Ouvi dizer que Martin Ristof irá está a bordo.
    Amy se aproximou para ouvir a conversa, mas todos pararam com de costume.
    -O que você disse? – perguntou ela atordoada – Ele vai estar lá? No trem?
      “ –Amy querida não sei por que você gosta tanto de trens. Pra que um trem que tem tudo que um navio se já temos navios? –dizia Martin enquanto abraçava Amy.
  -Você não entende não é Martin, seria inovador! Esse é o meu sonho, não precisa ser o seu também.
  -Seus sonhos são meus também... Um dia tornarei isso realidade, mas não viajarei nesse trem, odeio o barulho que ele faz – ele sorriu encantadoramente e a beijou.”
   -Amy? – chamou uma colega – Você não gosta mesmo desse trem não é?
   -Não! – respondeu ela rispidamente – É uma coisa absurda! Um trem como um navio. – Amy ria ironicamente.
   -Então você não vai participar do “concurso”? – perguntou a mesma colega em um tom sarcástico.
   -Que concurso?!
  -O melhor funcionário nesses 6 meses, ganhará uma passagem para o trem com tudo pago...
É lógico que vou participar! E vou ganhar! – pensou Amy.

Expresso Continental

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


          C            Capítulo 1 – Expresso Continental

  O Expresso Continental será testado hoje, o magnífico trem fará um pequeno percurso e no próximo dia 10 fará a grande viagem do norte da América até a Europa, mais especificamente de New York até Londres.  "Além de suportar viagens transatlânticas, os vagões não são menos que o paraíso" diz Matin Ristof o incrível engenheiro que projetou e fez possível essa obra. "Quando tudo estiver pronto o Expresso Continental poderá dar a volta ao mundo" diz o prefeito de New York, e ainda brincou "Nada melhor que um transatlântico sem as tormentas do mar." Apesar de ser um projeto totalmente particular muitos países patrocinaram a construção dos trilhos e vagões. "Com a maior estação do mundo, do melhor trem do mundo instalada aqui o turismo será incrível! Não que precisemos de uma coisa assim para nos visitarem, já que Paris é uma das cidades mais visitadas do mundo. Mas tendo os dois ninguém vai querer conhecer outro país!" alegou o Primeiro Ministro da França...

  Amy lia uma parte da primeira página do TIMES. Todos os jornais só falavam do incrível, magnífico, sensacional trem. 
   "Como surgiu essa idéia Sr. Ristof?" perguntou a jornalista "Simplesmente adoro viajar, adoro trens e me sinto enjoado no mar." respondeu Martin Ristof sorrindo.
   Ela não sabia o que fazer, queria esquecer o trem, queria esquecer  Martin, mas todo lugar que ia só falavam do EXPRESSO CONTINENTAL! O que um dia foi um sonho agora parecia um pesadelo! Quem imaginaria que a pequena Amy seria a criadora do projeto do mais luxuoso trem de todos os tempos? Ninguém! Porém o inacreditável começou com pequenos desenhos e brincadeiras.Amy tinha apenas 11 anos quando começou o projeto do expresso continental. Ela sempre sonhara em rodar o mundo com um trem. Apesar de parecer impossível não custava sonhar. Em seu trem teria tudo, seria como um transatlântico sobre trilhos. Inovador!  As pessoas prefeririam ficar no trem a ir num hotel, a viagem não era desgastante, era simplesmente a melhor aventura que se podia imaginar. E o melhor que ele podia fazer era longas viagens de um continente a outro.
Filha de um arquiteto e uma contadora, Amy adorava contas e desenhos, sempre que podia ficava observando o trabalho dos pais. O projeto do enorme prédio no centro da cidade era o que ela mais gostava, o pai trabalhava com o tio Morgan que era engenheiro e juntos eles fizeram a planta do melhor prédio da cidade. Amy conseguiu ficar com o esboço inicial era simplesmente sensacional, para ela era como um tesouro e ela o guardava como tal.
Amy passou 15 anos da sua vida sonhando com seu trem magnífico, ela desenhou todos os detalhes dele, as cabines, os salões de festas, os restaurantes, os salões de jogos, as boates, o SPA, tudo que ela queria que fosse verdade em um trem.
Após todo esse tempo desenhando e calculando medidas, estava tudo perfeito, mobília, espaço, satisfação. Para ela aquilo nunca seria possível, mas sempre que tinha tempo livre dedicava um pouco para seu projeto secreto.
Até que ele apareceu, ela o amou, ele a prometeu a realização de um sonho, e cumpriu.
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